Luzia
Segunda-feira, Dezembro 14, 2009
- Vó, vó, vó, vó!
- Santa Bárbara, rapariga, que me gastas o nome! – sorri. Tira o avental e espera com cuidado o irromper da neta.
- Não gasto nada vó! Só eu te trato assim. Só eu.
E era verdade. tinha construído um pequeno império, orgulhava-se ela. Era respeitada pelos filhos, amada pelos netos, temida pelas noras e genros, tudo como queria. Só esta tempestade era diferente. A única que a tratava assim, com despudor, com intimidade, sem deferência. E porquê, perguntou-lhe quando o tio mais velho a repreendeu. E porquê, tio? Para ela tudo tinha e devia ter um porquê. Eu amo a minha vó. Eu vou amar sempre a minha vó.
Já sabia que a neta chegaria com uma notícia fantástica para si.
- Vó, vó, – ouviu-se enquanto percorria o quintal, subia as escadas entrava porta dentro e corria para a cozinha – vó, vó, vê o que a tia me trouxe de Espanha!
Uma boneca pendia das mãos da pequena presa pelo pé de plástico.
- Mas assim magoas o bebé, rapariga. Pega-lhe com cuidado!
- Vó! – batendo o pé – é uma boneca, não é um bebé – constata com impaciência – mas é linda, vó. É linda, não achas?
- É linda, sim. Que nome lhe deste?
- Luzia. Ouvi-te dizer esse nome quando sonhavas
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