i

A vida tinha sido boa. A mãe, Princessa White, tinha cuidado estremosamente dos 6 rebentos. Lady Luz, a Cuidadora, colocou um belo recanto nos aposentos de Lady White onde nasceram, abriram os olhos e deram os primeiros passos.

Neste dia em particular chegaram Lady Nocas e seus dois filhos: Cavaleiro Valentine Louro, o Sábio e Cavaleiro Nikoralai Moreno, o Intrépido. Sir Fiodor tinha partido numa demanda e só chegaria tarde desse dia.

Lady Nocas e seus Cavaleiros dirigiram-se à Mansão Wonderful Life onde os aguardavam Lady Ninikail e Lady Mizesky.

Após as saudações iniciais, e apesar dos Cavaleiros terem falhado redondamente nas regras de protocolo (situação que Lady Nocas esperou ter sido compreendida por tão respeitáveis Ladies, tendo em vista tão sublime e aguardado momento), dirigiram-se a Lady Luz.

Lady White observou cuidadosamente a família e decidiu dar-lhes a guarda de Lord Faramir, o Guerreiro.

- É o meu benjamim. Mas vejo que cuidarão bem dele!

- Pode ter a certeza, Lady! – respondeu o Cavaleiro Nikoralai.
- Fique descançada! – afirmou o Cavaleiro Valentine

Lady White e Lady Nocas olharam-se.
De mãe para mãe.

Lady White acenou com a cabeça.
- Pode ir buscar Lord Faramir aos aposentos dos infantes, Lady Luz.
______________________________

Os novos domínios de Lord Faramir pareciam enormes.

- Lady Nocas… isto é enorme!

- Verá, Lord Faramir… verá que brevemente dominará sobre todo este espaço. Verá que em breve se tornará pequeno.

O dia foi passado em plena brincadeira.

Lady Nocas, Cavaleiros e Lord Faramir percorreram os domínios do pequeno Lord, mostraram-lhe todos os recantos, montes, vales e aposentos.

Quando Sir Fiodor regressou da demanda ainda a brincadeira reinava.

Depois dos cumprimentos e vénias Lady Nocas declarou ser hora de dormir.

- Já vai longo o dia, cavalheiros. Retiremo-nos aos nossos aposentos.

Lord Faramir dirigiu-se aos portões.
- Gostava de regressar para ao pé de minha mãe, Lady White, por favor.

Ficaram todos tristes.
- Mas pensámos- começou Sir Fiodor – que Vossa mãe lhe tinha explicado. Estes são os vossos domínios agora, Lord Faramir. Foi-lhe destinado governar sobre esta humilde terra.

Lord Faramir olhou cada um individualmente. Suspirou. A mãe tinha de facto falado sobre isto. Que os humanos tinham a mania de tirar os gatos aos pais, enfiá-los num cesto estúpido e esperar que apenas servissem de bibelot… Disse também que havia outro tipo de humanos. Aqueles que gostam de gatos mas que os consideram tão individualistas e orgulhosos que não tentam sequer estabelecer contacto. A mãe tinha falado de um tipo raro de humanos. Aquele tipo que sabe o que os Gatos realmente são. Que não lhes dão nomes tipo Bichano, Mimi, Cacá e essas coisas. Que reconhece a grandiosidade de estirpe tão nobre.

- Minha mãe soube escolher, meus senhores. Sois gentis e simpáticos. Aceito ficar. Querida Lady Nocas, poderá levar-me até os meus aposentos para que descanse então?

««««««««««          »»»»»»»»»»

ii

Lord Faramir passeava frequentemente pelos seus domínios.
Atravessava a Pedraria Branca onde lhe dava prazer sentir o fresco daqueles seixos brancos, branquinhos debaixo das suas patas. Subia ao Planalto das Cebolas onde se divertia com o ondular da superfície trémula. Subia frequentemente (quando Lady Nocas não via, claro) a Serra das Cores e do Perfume. Ah! A Serra das Cores e do Perfume. Alterava-se todos os dias, mudava de cor e textura. Tinha, por vezes, pequenos apêndices onde gostava de se prender e ficar pendurado. Outras vezes era enorme com inclinações, depressões e subidas agrestes. E de tantas cores! E o perfume? Sempre o mesmo. Sempre perfeito. Com reminiscências à sua mãe.
É verdade que Lady Nocas não gostava e até se zangava quando sabia da sua estadia ali. Mas Lady Granny, mãe da sua querida preceptora, deixava-o deambular por ali. Até colocou uma mantinha no topo da Serra das Cores e do Perfume para que Lord Faramir fizesse longas sestas sentido os raios de sol que lhe aqueciam o ser.
Perto, pertinho desta Serra ficava a Estalagem Comikala. Era onde se refastelava tranquilamente em longas comezainas, confortavelmente instalado no seu pequeno trono forrado a cetim.
Lady Nocas, sempre ela, combinou com o dono da estalagem dar-lhe apenas refeições saudáveis e água cristalina, mas sempre que se fazia acompanhar por Lady Granny ou por Sir Fiodor conseguia outros pequenos prazeres. Como é que Lady Nocas descobria sempre (sempre, sempre, percebem?) que o estalajadeiro não tinha cumprido as regras era um mistério para o pequeno Lord. Mas o mal (ou o bem) já estava digerido… mas tinha que ouvir as palavras duras da zangada Lady. O pequeno Lord ficava muito quieto de olhos baixos, bem como Sir Fiodor e Lady Granny, porque o pequeno Lord já tinha aprendido que quando Lady Nocas se zangava era para ficar quieto, quietinho e ouvir. Só ouvir. Até porque também tinha aprendido que no fim aparecia um beijo muito repuxado e um sussurro doce: “Prometi a sua mãe tomar conta de si. Fazer de si um Gato valente, saudável e espadaúdo.” Lord Faramir achava que lhe descobria um sorriso mas mantinha os olhos baixos.
Certo dia descobriu a Planície Branca. Que seria aquilo? Chegou-se patinha ante patinha; cuidadoso, silencioso e cauteloso. Nunca tinha visto tal coisa. Uma longa extensão branquinha e pacífica. Parou à entrada. Olhou. Levantou o pequeno focinho para tentar perceber os cheiros que emanariam daquela planície. Não lhe pareceu errado. Decidiu percorrê-la. Era suave e um pouco engraçado. Percebeu que a Planície Branca era completamente constituída por aquilo que lhe pareceu pedrinhas brancas. Cheiravam bem. Pensou que se lembrava de sua mãe lhe ter explicado alguma coisa sobre umas “certas planícies feitas de pedrinhas” e para que serviam, mas não conseguiu lembrar-se do resto. Sentiu até um pequeno calafrio percorrer-lhe o pêlo sedoso acabadinho de cardar por Lady Nocas.
- Ora vejam lá! – Pensou para si – Se um Lord majestoso como eu irei ter medo de tão pacífica Planície!
Entrou com confiança pelos domínios dos, descobriu mais tarde, Serezinhos Brancos. O Sol continuava a brilhar. A Planície resplandecia sob os seus raios e ninguém à vista. Ninguém? Mesmo? Pareceu-lhe ouvir qualquer coisa. Virou-se de repente mas não vislumbrou nada. Tudo calmo. Tudo imóvel. Estaria? Continuou. Teve certeza depois. Uma coisa, alguma coisa tinha-se mexido! Ficou atento, imóvel.
E depois aconteceu. De todo o lado, por todo o lado, os Serezinhos Brancos ergueram-se, confiantes no seu número e tomaram de assalto o pequeno Lord!
Lord Faramir combateu audazmente, lutando com este que lhe subia pelas pernas, empurrando aquele que lhe saltava para a cabeça. Mas eram tantos, por Deus, tantos! O pelo sedoso irisou-se, as unhas (nem sabia que podiam fazê-lo) saíram afiadas, bramiu-as, desferindo golpes que aniquilavam aqueles seres impiedosos, mas estes continuavam o seu ataque violento! Mas que guerra!
Conseguiria o aflito Lord escapar?
Desejou pedir ajuda, tentou gritar por socorro mas tinha já a boca tapada por aquelas criaturas abomináveis.
- Socorro! – Conseguiu dizer. Olhou para os lados da Serra das Cores e do Perfume e pareceu-lhe vislumbrar alguém. Já completamente coberto, prestes a ser provavelmente engolido pelos Serezinhos Brancos, teve a certeza de que se aproximava alguém.
- Socorro! – Mais uma vez…
Era Lady Nocas, a sua querida, corajosa salvadora. Conseguiria ela vê-lo? Saberia ela que ele ali estava, à mercê de tanto doesto?
Viu que se aproximava! Vinha salvá-lo! Já lhe ouvia os passos. Redobrou os ataques para se libertar dos imensuráveis vilões, certo que a ajuda se apropinquava.
- Lord Faramir! – Gritou Lady Nocas! – Abarbe um pouco mais!
Tempos depois, nos seus aposentos, deliciava-se com afagos da Lady enquanto lhe transmitia a aventura. Mas não a terminou. Adormeceu e sonhou. Sonhou que lhe aparecia sua mãe, Lady White, com o seu pelo branco sedoso
- Lembrai-vos, pequeno Lord, deste aviso. Das Planícies dos Serezinhos Brancos, tão aparentemente cálidas, tão enganosamente pacíficas sobrevêm inúmeros perigos. São habitados por perigosas e vis criaturas que vos tomarão de assalto se incautos forem. Dar-vos-ei o segredo para derrotar tais vilões. Aqui vos coloco (apontou para o fundo da sua barriguinhas branca) o Líquido Mágico. Ele é poderoso e, uma vez usado, deverá ser espalhado de maneira veemente por toda a planície. Ele enfeitiçá-los-á num torpor imenso.
E assim fez logo que pode.
E a Planície Branca dos Serezinhos Brancos ficou para sempre enfeitiçada e calma.

««««««««««          »»»»»»»»»»

iii

Digam lá se conseguiriam resistir a estes olhos?

Conseguiam?
Eu também dizia que sim!
Vá, caros defensores dos animais meus amigos, camaradas… (ufa!) acusem-me lá de não dar comida ao bicho! Vá!
Sim, porque este olhar (e os miados que o acompanham) só podem ser de fome esgalgada, claro!!!
Digo para se ir embora… vai, vai! :(
Mas não vai…
Em vez disso, faz guarda ao “Sýtio” (escrevi assim com “y” para lhe dar mais classe! – depois verão porquê)
Dizia…
Faz guarda ao Sýtio da sua eleição… olhos maiores que os do Gatos das Botas… e mia

(por esta altura quem não me conhece e aqui veio parar googlando “maus tratos em animais” está simultaneamente a escrever um ofício para a SPDA…)

E agora olha alternadamente para mim e para o Sýtio. (se falasse chamar-me-ía BURRA)

entretanto tenho que ir afugentar a vizinha/fã n.º 1 do Tony Carreira porque me bate à porta, de cigarro em punho, rolos na cabeça, creme na cara perguntando-me o que se passa com o bichano

Desculpo-me dizendo que é a reacção dele à música que certos vizinhos emitem… não sei, parecem gritos… nem sei de onde vêem… ai, vizinha, se soubesse o que já lhe fiz para o calar… se ao menos soubesse de onde vem esta chinfrineira!
(a vizinha retira-se zangada – já não recebes ramos de flores secas pirosas para o ano! parece atirar-me entre dentes e bafuradas) Obrigadinha, sim?
Decido, para o bem de todos e principalmente MEU, dar-lhe o que quer…
E lá segue ele o seu caminho feliz e contente, cantando e rindo (ah, claro. O LF canta, mas só em crioulo – que é muito mais fashion que o francês habitual dos gatos)
Dizia
Canta, ri e brinca com Aquylo que tiro do Sýtio

Sabeis o que é?

Não?
Eis a causa de tanto alarido, miado e sei lá que mais

Ainda não sabem o que é?

E agora?

Já sabem???

Termino desvendando um segredo… ou vários

- não maltrato os animais, com a excepção, devidamente justificada, de certos artrópedes Hymenoptera e Neoptera quando e se se aventuram a entrar neste Matriarcado!
(digam lá se não é giro ter Crias que gostam de ciências???? nunca ouviram nomes tão giros para bichos tão blraaaaaagh! pois não?)
- não deixo o Lord F. passar fome,
- não rabujo com os vizinhos
e
(infelizmente)
- recebo ramos de flores pirosos das minhas vizinhas – que agradeço com dois beijos – com creme e tudo, humpf!
- dei cabo de uma caixa de cotonetes para montar esta masterpiece – passem a falar mais alto, se fazem o favor!!!!
 
 

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